quinta-feira, 16 de junho de 2011

NOVIDADES

Provàvelmente tudo que se classifica como novidade surge de certo modo inesperadamente. Alguma até assusta pela condição em que se manifesta. Quem - como - poderia imaginar que alguem com 21 anos pràticamente, universitária, iria engravidar sem querer ? Ato falho ? ou nem tanto, ato intencional, omitida a intenção ? O fato é que uma gravidez deveria ser sempre motivo de alegria e não de apreensão e desespero. Mas aí está, absorvido o choque inicial secadas as lágrimas que correram por dias, vou ter outro neto. Ou neta. As questões que angustiam : quem irá trabalhar para sustentar e abrigar esta nova vida que se apresenta? Eu, a velhinha doida? Certamente, quem mais seria se a grávida não trabalhava ainda e assim, não irá poder trabalhar tão cedo. Uma vida que chega interrompendo outros projetos de vida, modificando, transformando tudo. Dá para perceber que ainda não consegui digerir esta doideira. O ...pai, não sei se irá assumir como pai, a filha estava pensando em terminar o namoro considerando a irresponsabilidade dele, quando surge isso. Irresponsabilidade dele? Ou deles ?  E se o tal pai assumir pode ser pior, já que não é muito chegado a coisas como trabalho, coisas assim. Permanecer o dia na praia é muito melhor, porque não encontra nenhum emprego digno de sua...(in) capacidade. Irá um filho transformar um caráter ? Pelo que observei ao longo de minha vida, e lidei profissionalmente com centenas de casos assim,( quem lê e não sabe, fui obstetra tôda minha vida profissional,) os homens não mudam por um filho. E grande parte das mulheres tambem não. Faltam 15 dias para o prazo que dei para que decidam o que vão fazer, para que eu possa decidir o que eu vou fazer. Vontade de fugir. Se não fossem os outros filhos, confesso que teria fugido já. Um ano ou dois, voltar com tudo efetivamente consumado. Mas não sou de fugir, sou a idiota que assume responsabilidades. Até o fim. E abusam. Não, a maioria respeita e reconhece, até tenho recebido recompensas ( i ?) merecidas. Ah ! Merecidas sim, afinal se sou uma mãe nota 7,5, sou muito fraca em cozinha, irrito-me com facilidade, fui um pai nota 10. Mesmo usando palavrões como adjetivos ou instrumentos de alívio para crises de desespero. Sei, erro nisso, deveria ter maior autoicontrôle, mas tenho muitos defeitos, alem desses e trabalho esta vida tentando minimizá-los. Mas o .pai... Ooops, doador de sptz dos meus filhos, nunca assumiu sua responsabilidade, nem durante o casamento, nem quando por isso o casamento acabou, em nenhum momento, mesmo quando diante de grandes dificuldades, como doenças.
Fazer o que ? Calma, paciência, que no final tudo fica bem, dizem e se não está ainda é porque não é o final. Pensando bem, tomara que não seja mesmo, pois ainda quero experimentar muitas coisas, mesmo tendo que arrastar agora correntes mais pesadas. ( Como é que vou viajar como preciso porque gosto, se tiver que ficar para a ...idiota terminar seus estudos ?) Eu mereço, só se tem o que se merece, porque , tambem quase acredito nisso, fizemos nossas escolhas antes da vida encarnada.


 Aumentaram minhas dores, volto a sentir náuseas, mal consigo ingerir algum alimento, o que pode até ser positivo, andei engordando novamente os dois ultimos anos. Lenta e perceptìvelmente. Então, penso, é engartar minha pollyanna e seguir em frente.
(foto: maio de 2011, já com o neto(a)  e eu não sabia, em Frade, distrito de Macaé)

sábado, 7 de maio de 2011

LUTO



Se difícil é entender o que estou sentindo, parece-me impossível explicar. Mas quem sabe esta tentativa ajude-me a chegar perto de respostas.`
Pensava estar tranqüila em relação a isso, afinal, não se perde o que não se tem, e há muito tempo sentia-me órfã de mãe. Acontece que quando da morte material dela, morreram comigo esperanças que eu mal intuía possuir e sequer alimentar, de que um dia essa realidade fosse revertida, um dia, acordariamos com a consciência de que eu precisava ainda dela, não pelo hoje, mas para preencher, mesmo com atraso, um imenso vazio em meu coração. E nesse dia milagroso, eu poderia entender muito do que sou. Mas acabou. Repentinamente sou colocada ante a realidade de que conto comigo. Com os filhos(as) também, certamente, mas estes são galhos, folhas e até frutos. Eu, um tronco com raiz fraca e que agora e como sempre foi precisa sustentar-se de pé pela sua força exclusivamente ajudada pelo equilíbrio dos ramos, mas sem nada anterior a mim.
Contraditório, aparentemente ao que minha razão aponta, da necessidade de compreensão do menor, do mais fraco, que no caso seguramente não sou eu, embora tão fraca a ponto de cometer tantos erros. Mas tão forte ao ponto de exigir de mim muito, muito mais do que exigi de outros.
Mas não me lembro de jamais ter-me sentido tão só e por isso também muito triste.

sábado, 26 de março de 2011

VIVA!!!!!

Chegou junto com o outono, a Helena, Tocha de amor, luz do sol !
Disposta a conhecer o mundo, mostrar a que veio, reunir as pessoas, nasceu em 21 de março às 20:30 hs, em Petrópolis.

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sábado, 12 de março de 2011

Quem aqui vem sabe  e se não sabe informo, que sou batalhadora, que minhas condições de vida foram um pouco adversas, mas que apesar disso e até, talvez por isso mesmo, estou aqui, sobrevivente. Não gosto muito dessa palavra: sobrevivente, parece que é uma acontescência sobra do acaso. ( É sobra mesmo, mas tambem pode ser lido como obra), mas no caso é algo conquistado duramente. Tá, com um tantinho de sorte e ajuda tambem.
Dessas minhas lutas sobraram muitas cicatrizes, falo principalmente daquelas psicológicas, já que as do físico não me incomodam, mesmo que tenha várias, a primeira na face, deixada no dia que nasci. A primeira na alma, anterior a do físico, talvez no dia em que fui concebida e certamente durante o tempo em que estava sendo gestada e negada. E por aí vai.
Eu sempre arrastei uma enorme culpa por não ser daquelas mamãezinhas conforme devem ser as Mães. Não conseguia fazer comidinhas especiais todos os dias ou noites - mas comida nunca faltou, mesmo que divididas as guloseimas, afinal eram tantas crianças. Nunca faltou teto, roupas, folguedos, lazer e atividades culturais que suprissem mìnimante as necessidades de desenvolvimeto das crianças e creio, tambem de desenvolvimento afetivo. Faltava ao trabalho ou contornava, para comparecer as atividades de escola na maior parte das vezes: joguei queimado, hand ball, gincanas de ovo, corridas do saco suficientes para completar uma maratona, corridas com batatas na colher, virei cambalhotas em publico, dobrando e vencendo uma enorme timidez, criando um personagem até, para prosseguir; cheguei a ganhar premios em festas de mães; frequentei reuniões escolares intermináveis para pais e mães e o que mais era necessário, mesmo que eu sentisse uma inutilidade naquilo tudo. Mas as mães iam, os filhos sabiam e cobravam, como eu poderia não comparecer? Proporcionei atividades extras na medidas de meus próprios e únicos recursos, descobrindo coisas "mais em conta", bolsas de estudo, danças, lutas, ginastica, música, a cada um dando a oportunidade de buscar descobrir seus talentos, mesmo que muitas vezes não pudéssemos ou quisessem dar continuidade, mas pouco fiz pudins e empadões. Durante muito tempo proporcionei quem fizesse, a ajudante de tarefas do lar, até quando foi possivel manter uma. mas aí já eram adolescentes. Até hoje, já aposentada ou com tempo, não sei preparar lanchinhos ou almoços e jantares especiais, salvo  certos dias obrigatòriamente especiais onde me desdobro alem das minhas limitações.
E cometi tambem muitos erros e penitencie-me e peço perdão até hoje por eles, mesmo que não intencionais e decorrentes de covardia ou medo.
 Eu sei que fui uma mãe medíocre, enquanto me desdobrava para ser tambem o pai e olha que fui um bom pai de tantos filhos largados pelo pai.  Mas gente como dói  desde que ouvi e ainda ouço a voz dizendo que fui a pior mãe do mundo. Sabe por que essa voz não some ? Por que certamente é o que pensa  quem é dono daquela voz, pois nunca se retratou, para que eu tente acreditar que não é isso que pensa..
Mas não fui a pior mãe, tenho certeza. E fui um ótimo pai, tambem sei.  Olho em volta, vendo como são as coisas, buscando termos de comparação e de avaliação.
Eu já ouvira isso há tempos atras de uma outra pessoa, que desde então, por considerar demasiado ignorante decidi que não faria parte de minhas amizades, mesmo que seja obrigada a uma convivência social mínima, o que fica menos difícil quanto mais o tempo passa. Esta dor tambem vai diminuir, eu sei, só preciso de tempo, que me deem tempo, já que não reconhecem a necessidade de pedido e atos que comprovem ou demonstrem que querem ser desculpados se é que querem.. Eu preciso de tempo, muito tempo para cicatrizar, sem que a promoção de outros eventos equivalentes venham a arrancar a casca da ferida.e pôr a sangrar de novo.
Tempo para esquecimento, recolher-me em minha toca para lamber as feridas, para cuidar de mim, para não desaparecer na falta de vontade de viver.
Me perdõem pois, por mais esta fraqueza, esta incapacidade e se possivel, evitem magoar-me novamente, pois " meu copo está até aqui de mágoa " e precisa evaporar um pouco antes de prosseguir. Preciso resgatar minha auto estima, tão em baixa.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Por que ?



Passei minha vida tentando saber mais da vida, tentando e esforçando-me para entender seus processos, seja os orgânicos, os psicológicos ou espirituais; saber pelo menos parte das respostas às classicas perguntas, de onde viemos, para onde vamos, como devemos fazer, e quanto mais o tempo passa, ou eu passo pelo tempo, mais longe fico de qualquer resposta. Quanto mais busco o que é certo, mais afasto-me do que é comum, ou vivo.
Encontro tambem respostas insatisfatórias em textos considerados sagrados. Pior do que insatisfatórias, muitas são contraditórias, em um mesmo texto, que dira em textos de culturas diversas.  Mas culturas diversas significam que alguma esteja certa e outra errada? Recuso-me a aceitar um Deus de Mistérios, pois não acho que o segredo do conhecimento possa contribuir para o desenvolvimento do ser-se humano. É como dar a um estudante um grande livro e pretender que ele compreenda se ainda não lhe foi ensinado a ler. Recebemos oportunidades sem saber ao certo ( nem ao duvidoso) o que fazer com elas. Não consigo entender educação sem clareza, sem explicações. Entendo até a necessidade do aprendizado criativo, das descobertas de novos modos de compreensão, mas aí, se o entendimento não fôr de acordo com a expectativa do mestre, o que recebe o aluno ? Uma punição. Não entendo justiça neste método. E se justiça é indispensável para alcançarmos o supremo bem, não está aí uma enorme ilusão ? Não estaria certo Descartes quando levanta a hipótese de um deus enganador?  Se o resultado duvidoso não seria então consequencia de um causador injusto ?
Porque o humano é um ser essencialmente social, se só o que encontra é solidão? Conheço muitas hipóteses/justificativas das razões para esses processos, mas para mim estas respostas soam como quando se responde a um daqueles "por ques" intermináveis das crianças com um " Porque sim". Porque sim ? Mas isso não é resposta e é assim que me sinto frente a minha busca  ante os dilemas que a vida me aponta.
 Perdoar? Mas não devo dar a  uma pessoa  algo que ela não não queira; seria como jogar ao lixo um bem precioso. Portanto, penso, só se deve perdoar a quem deseja ser perdoado. Não é certo ? Não estaria aí a justiça ?
Não acredito na liberdade de escolha dos caminhos, pois se a escolha não for "a certa" o dano será certo. E aí, como saber se o que escolhemos é o melhor, o necessário se não podemos sequer imaginar como seria caso a escolha tivese sido a outra. Como num " efeito borboleta".
Ando cada vez mais triste, e apreensiva pela minha tristeza inevitável, pois tenho certeza do que acontece aos corpos daqueles que se tornam imersos na tristeza e certa dos castigos que decorrem disso. Mas o que fazer sem respostas ? Como ter esperanças num mundo que pouca recompensa traz aos grandes esforços e que só aponta para mais e mais punições ? Como acreditar numa hipótese de transcendência se nos é dado a lógica e esta nos mostra como é ilógico tudo isso ?
Quando vou sentir que meus esforços para plantar deram frutos saborosos ? Que valeram a pena ?
A essa angustia, limítrofe do desespero, sempre chamei suicidio lento, mas não consigo desviar-me deste caminho.
Mas "dar a cara a tapa " repetidamente ? Ah! Isso não faço mais. Isso sei que é um mal , e procuro o Bem.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O Anjo do Canal e de difíceis recomeços


Vê-se no meio do canal a coluna e o Anjo? Mal se delimitam seus contornos, como mal se percebem os limites entre o fim e um recomeço. Distinções obscuras, conceitos indistintos. Quando conheci este anjo, a coluna em que se apoia estava inclinada. Uns anos depois inclinara-se muito mais, mais do que qualquer torre famosa, menos  do que meu orgulho ou amor proprio posteriormente. E então, décadas após, quando eu já imaginava que o Anjo caira, não do céu, como aquele outro, o famoso, com nome de Luz, em meio a tanta imagem de destruições ou desfigurações que encontro ao rever ( re?) algum lugar que conhecera. Morando há um ano bem perto dele, agora crio coragem , vou a sua procura e alí estava, corrigida sua inclinação, impedida sua queda.. Mas as minhas, não houve como impedir. Estrepitosas, desesperadas, exageradas. 
O recomeço que me proponho não pode ser um renascimento. É impossível. Trata-se do que então...de uma perda ou abandono de uma parte de mim, de uma desistência, mais do que de novos propósitos ou projetos. Estes, acabam interpondo-se pelas próprias ondas da vida. 

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Nas andanças de ontem

quando saí de casa, especìficamente para tentar a foto de um Anjo, escultura sobre uma coluna que tem aqui perto, no Canal, e frustrada por constatar que não conseguiria uma boa foto, olho para trás, o que está ali sobre minha cabeça:  um Grifo. Surpresa, pois eu que saíra para tentar fazer uma homenagem ao amigo Gaspar de Jesus, "dialogar" com fotos de um mesmo tema, acabo por encontrar o totem do João Menéres !



UM  GRIFO  !


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ALGORITMO



SE  CHEGO  AO FUNDO DO  POÇO

i. só se pode retornar
ii. pode-se ficar onde está
 se resolver retornar, sabe-se que ao chegar em cima, pode-se encontrar
i. as mesmas condições que deixamos ao cair/pular
ii.ou não.
se pulamos,
i. pode-se pular de novo
ii.pode-se ficar onde está
se foi queda,
i. do fundo retornamos
ii.ou o poço não tem fundo.
Se não tem fundo, não é poço, é túnel.
i. sempre tem saída e luz no fim do túnel.
ii. o que mais terá do outro lado é que são elas...


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sábado, 18 de dezembro de 2010

Das horas sem luz


Pelo rastro cinza em negro asfalto
dezoito quase dezenove das horas
do horário planetário
seguem rastejando dois olhos de luz
dois pontos faróis e logo mais dois
olhares do animal
animado desalmado
que arrasta pelos caminhos seus possuidores
possuidos pela necessidade premente
 criada pela mente
enquanto cirros acumulam cinzentos reflexos
como cumulus refletindo cinzas
e ninguem vê ou sabe nada.

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"CORUJICE"

Estas duas belezas nasceram aqui em Cabufa, numa pilha de folhas secas sobre areia, com restos organicos da casa. Compostagem? Nem tanto...surgiram e foram surgindo folhas enormes, ramas expandindo-se sobre a areia, as flores já embelezavam suficientemente o local e quando vejo, uma abóbora!  Dias depois, outra. Acompanhei seus rápidos crescimentos e amadurecimento. Na colheita, pesava uma 6,295 Kg e a outra 4,980kg. Colheita de novembro de 2010.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ANDARILHOS SÃO SEMPRE CINZENTOS...

Diacronicamente? Ou seria anacrônico?

Enquanto estou na estrada e sempre que possível anoto pequenos pensamentos para desenvolver depois, ou até nos pare-siga das obras das rodovias textos completos sem revisão. E como nos lugares onde durmo ou fico, a maioria não tem internet, ao chegar finalmente onde poderia ser divido ou compartilhado já está fora do novo momento, ou porque o problema resolveu-se ou porque não terá mesmo possibilidade de solução. Ultrapassado. Como se diz de um tema morto ou aborto?
Então tantos vou guardando, em caixas, cadernos, grampos e clips. Tantos vou perdendo em ultrapassagens, buzinas, sinaleiros.
Então enquanto ia escrevendo, vi aqui, no lado de cá da mata, o espaço apropriado para tudo isso.


EM  ALGUM  DIA  DE  OUTUBRO
 Anotei em folhas. Os parágrafos parecem ser sequenciais, mas noto, ao reler, uma descontinuidade, apesar da similaridade do tema. Talvez ida e volta, talvez em idas sequenciais, com paradas/dias de intervalo.

Tenho me sentido culpada por estar lendo pouco. Livros. Mas na verdade tenho lido muitos autores.Gente. Muitas opiniões. Com uma particularidade: escolho entre uma amostra livre da censura disfarçada mantida pelos corpos editoriais, pelo status ou cultura que quer se manter dominante. Os "clássicos" que li na vida são a amostra da escolha determinada pelos grandes saques e invasões da historia do que deveria ficar fora das fogueiras, do que seguiria para a posteridade.Queimados tudo o mais. Sequer saberíamos imaginar o que diziam, o que ensinavam. Como seriam como clássicos.
Até o "mais impresso" livro sagrado foi construido neste processo de escolha/exclusão dos saberes. A doutrina foi escolhida por alguem para algum fim.
Qualquer opinião, tese, delírio que contrarie evidentemente aos interesses do sistema, está fora. Estava. Porque agora, nesta "mudernidade" daqui, com tanta gente escrevendo, poetando, pintando e mostrando, as perspectivas se abriram.


Outro dia:
Por estar fora da rede, não sei bem o que está acontecendo, mas no sistema de informações em cápsulas reduzidas, o FB, andei "acompanhando"  em amigos de amigos, discussões sobre uma censura ou veto aos livrvos de Monteiro Lobato, porque Pedrinho emite opiniões ou puras expressões que hoje são polìticamente incorretas, representativas do racismo, hoje condenado. Se condenadas estão suas obras, hoje, qual deveria ser então sua pena? Fogueira? Ostracismo? Estaria certamente em excelentes companhias.
Mas nós, aqui, após proibirmos o racismo de Lobato, deveríamos tambem proibir Platão, todos os clássicos que defendem a escravidão e a desigualdade entre os humanos, a Bíblia, e ainda os medievos que afirmaram a duvida na humanidade das outras raças. Pouco restaria para representar nossa ideologia. Aliás, temos uma? O proprio iluminismo pode ser avaliado como indutor ao racismo, uma vez que o bem, a luz, é o oposto da escuridão, mal, trevas. Não ler nada, então, pois tôda e qualquer literatura representa valores morais de sua época, mesmo quando projetados no tempo em determinadas ficções. E estes valores, séculos ou revoluções depois, lògicamente mudam. Como variam tambem suas interpretações ou compreensão.

Mas ao final fiquei sabendo, Pedrinho está em condicional. Livre, sob vigilância.


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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Segunda feira

Chove! UFA! Não sou obrigada a ir a praia, ou me sentir culpada de não "curtir a praia" com as filhas que estão aqui; nada contra, pelo contrário! É que... feriadão...minha cidade e praias estão invadidas por "eles" seres que gritam, cospem no chão, não olham em volta e... estão espalhados ocupando intensiva e extensivamente todos os lugares. São diferentes dos da mesma espécie que invadiam a cidade de onde vim, lá são mais discretos, diria, educados mesmo. Só que os invasores daqui vem frequentemente, de lá, das montanhas. O medo - angústia- e a tristeza que senti ontem ao voltar para casa após me despedir dos meninos, depois de 12 dias maravilhosos de explorações, passeios, descobertas, experiências, investigações, inclusive nos programas e desenhos de TV e de uma enorme catapora ("-capola, Vovó!) do caçula, acaba sendo suavizada aqui, ao encontrar com os amigos daqui e a sra Urtigão, daqui e dali. Sobra ainda um pouco da tristeza que senti ao me ver excluida de algo do qual queria participar e me sentia coadjuvante, ou mesmo atriz principal. E, surpresa, me vi excluida para inclusão de novos participantes no jogo/peça/vida. Porque meu jeito de ser e as caudas que arrasto talvez não sejam elegantes o bastante. mas isso tambem passa e fica aquela deliciosa sensação de dever cumprido, consciência tranquila e acumulando forças para as novas tarefas.

domingo, 17 de outubro de 2010

Tempo

Falar do tempo ou da falta de tempo pode parecer falta de ter o que fazer, sobra de tempo, mas não tem sido esse o caso. A correria foi maior, a avalanche de probleminhas domésticos que ocorrem juntos ( lei de quem ?) o aventurar-me em novas e inusitadas situações, transpor o fluxo dos movimentos para uma nova ordem. Para isso, o tempo e o tempo são fatores deveras relevantes.
 Foto no município de Duque de Caxias, RJ, enquanto estava num imenso congestionamento, que me fez percorrer em 2,20 hs o trecho que habitualmente faço em 10 a 15 minutos. Desfrutei de um magnífico pôr-do-sol, cheguei duas horas atrasada a uma reunião que não houve, pois quem iria apresentar o tema para aprovação esteve preso no mesmo engarrafamento. Problemas? Apenas um: para chegar ao local das reuniões, viajo pouco mais de 180km. e isto custa. Dinheiro, danos ambientais - gasto de combustível para o carro e o lixo que produzo ao alimentar-me do que compro pelo caminho, garrafas pets, embalagens tetrapack, plásticos. Sim, sou culpada, porque sei do malefício e não promovo mudanças. Frutas, pór exemplo. Mas terei outra reunião na próxima semana e provàvelmente farei tudo igual...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

viajando

Aqui em Cabo Frio começou a chover hoje. No sábado chovia pouco entre Ubá e Juiz de Fora. Deve ter chovido tambem algum outro dia, nesta viagem já se via um pouco do capim verde surgindo no negrume de fuligem que cobre a terra. Por isso se queima, não dá para ver o verde surgindo nos pastos ressequidos e esturricados pelo sol e seca, onde o gado emagrecido continua a pastar. A esperança é de que o capim cresça rápido com as primeiras chuvas para alimentar os animais aí chamados de lucro. Nos pastos queimados surge logo o capim, tambem conhecido por lucro. Sábado eu vim. Cheguei em casa à tarde e volto a referir meu imenso gostar dessa casa. Sábado então já foi um dia em que fiquei aqui. E dessa vez só sigo na quarta, não duas mas quatro noites em casa. De bom tamanho. Gosto de viagens rápidas, desse ir e vir alternado com alguns lugares ainda novos no caminho, pequenos desvios ou, por onde não passo há um certo tempo. Rever é ver de novo, conhecer outra vez. E mergulhar nas memórias, autênticas ou fantasiadas. Mas gosto tambem de dirigir-me até onde não conheço, confrontar minha imaginação com o que posso ver como realidade. Esse produto mental, a síntese desses dois aspectos, o antecipativo, eu diria assim, e o conhecível é que produz esse movimento pessoal no sentido de conhecer o desconhecimento, um reduzir-se a verdadeira perspesctiva das coisas, um passo a mais no sentido do autoconhecimento.
(foto: Palmital,24/09/10)

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terça-feira, 31 de agosto de 2010

30 de agosto de 2010

Não dá para parar, porque as circunstâncias não permitem, então lá vou de novo; Menos de 48hs em casa(?), após 5 dias em Petrópolis, e agora vou para o Rio. Sempre por obrigação. Por devoção. E que é ao final um enorme prazer, ir e vir, ver, ouvir, encontrar e até passar rápido fingindo não ver..."Depressa, depressa..." O que lamento são aqueles quase encontros que não se deram e pior, aqueles pelos quais ansiamos antecipadamente, planejamos e...frustramo-nos! Mas aí sempre entra o amanhã. Sempre há espaço e tempo para a esperança. E sonhos... .

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Andanças, ou , O Prazer do Trabalho


Estar aposentada me trás alguma culpa. Ah! Sempre ela ao meu lado. Herança cristã, de um colégio católico onde iniciei minha formação, ou quem sabe de pessoas que pretendendo "educar" os filhos, moldá-los, ao invés de formá-los, os deformam. Mas penso que não trabalhar possa ser um mal. Esqueço-me do quanto trabalho, atendendo às necessidades da minha casa e da minha família. Ajo como os preconceituosos que pensam que o trabalho dito "do lar" trabalho não fôsse. Porque não produz dinheiro? Produz outro tipo de frutos! Difícil está harmonizar em mim esta situação. Porque, talvez, este trabalho, para a família, me dá enorme prazer. Como se o outro, que exerci por bem mais de trinta anos, também, na maior parte do tempo, não fosse realizado com enorme prazer. Eu gostava muito do que fazia. Até que deixei de gostar. Ponto. Pronto.
Poderia discorrer exaustivamente sobre todos os motivos que conheço que me fizeram desgostar de uma profissão que amava tanto. Mas prefiro abordar as causas do prazer que me dá esta função que sem ser nova, pois que sempre foi concomitante à outra, agora posso (posso?) realizar em tempo integral.
A maior delas é expandir o tempo que tenho para conviver com os filhos. Quase um tanto quanto tarde, porque agora eles não vivem mais em minha casa. Pior, nem vivem na mesma cidade. Ou Estado. E para que eu possa estar com eles, como nunca pude estar antes, sou obrigada ( obrigada?) a estes deslocamentos. O que nem gosto né? (ironia, tá?) E por que viajar entre duas cidades para poder acompanhar uma das minhas "bebês" ao início do seu pré natal, associada a mais atendimentos às necessidades da casa, como problemas administrativos entre governo e lares, possa ser desconsiderado como trabalho, só porque gosto? Porque retornar de uma cidade à outra, onde tenho que cuidar de minha mãe(?) ao invés de ficar onde desejaria, em meu jardim, próxima a muitos amigos, não é considerado trabalho? E esta outra função, nem é prazeirosa. Apenas o lugar que escolhi para realizar esta função o é.
Chego de uma, mal desfaço as malas, ou melhor, não desfaço, apenas retiro a roupa suja, substituindo-a pelo equivalente limpo, pois sei que nova partida me aguarda. E sei que a cada vez que assisto um(uns), "desassisto" aos outros. E vou levando, tentando criar coragem, com a desculpa da "falta de tempo" para retomar as atividades ditas laborais que me permitiriam equilibrar o orçamento, pois os vencimentos de uma aposentada de nível superior, na minha área, são insuficientes, e quem equilibra meu orçamento são os filhos e suas contribuições. (Tipo mesada, ou bem mais que isso). Aí volta a culpa, porque mesmo tendo trabalhado toda a vida em torno de 100 horas semanais, incluindo plantões noturnos, o que recebia nunca foi suficiente para que eles tivessem mesada, ou um pouco de folga nas suas despesas, no atendimento de seus desejos, apenas o mínimo indispensável, e precisaram trabalhar cedo, pelo menos os mais velhos, ainda durante seus cursos universitários. Pois são melhores do que mereço.
Mas acabei não falando dos prazeres. Ou falei. São os filhos, suas conquistas, seu bom caráter. São as viagens entre suas casas. São meu direito de ir e vir, mesmo que compromissado. E desse direito, não quero, não queria ter que abrir mão. Afinal, estou aposentada. Por mais tempo de trabalho que exige a legislação. E pela idade mínima, da mesma legislação.

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Dezenove de Agosto



Como posso dizer que volto para casa,
se meu coração mora em muitos lugares?




Minha casa é Gaia
Sou da Terra.
Sou da Mata, da Montanha,
do Mar, do Rio.
Da Rua
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Moro na chuva e no vento,
no frio e no calor.
Vivo na luz do Sol
Vivo no mundo da Lua




Moro nos rios e nas estradas.
Moro na natureza
mas tambem nas obras dos Homens.
(Desses filhos da natureza que sequer sabem disso)
E na luz das estrelas
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Vivo no coração dos que me amam,
moro no meu coração porque eu amo
e ainda em corações que sequer conheço,
(que irei (ou não) conhecer).
Humana




Vivo em sorrisos e em lágrimas.
Sou dos dias e das noites.
Vivo em sentimentos.
Contraditórios.
(Como toda gente).




Sou árvore e semente,
sou flor e fruto,
morte e nascente
Renascimento
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Gosto de fora, gosto de dentro.
Sou rio, mas tambem sou ponte.
Sou movimento.
Estou no que faço e no que sentem,
sou escolhas.
Pensamento
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Estou ... Vivente.




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sábado, 14 de agosto de 2010

ANDANÇAS


Sempre correndo, sempre seguindo o caminho mais direto possível, dessa vez me surpreendi. Decidi voltar para casa por outro caminho, que eu ainda não conhecia. Deixei a potencial solução de problemas onde deveria ir, para outro dia, quem sabe, na segunda, quando por lá terei que voltar, por outros motivos, de qualquer jeito. E escolho este novo trajeto, com a desculpa de que certamente seria um pouco mais curto e quem sabe bem mais rápido. As paisagens não são tão diferentes da outra, óbvio, a região é a mesma, as estradas que escolhi, ora correm em um sentido paralelo a outra, que descobri recentemente, desde que mudei-me para cá, ora mudam de inclinação, retomando depois, sempre, o rumo para sudeste. Mas pontualmente, a paisagem é bastante diferente. Quadro a quadro. Não são as mesmas casas ou sítios que vejo nas curvas que não são também as mesmas, nem as porteiras que abrem em alamedas, embora bastante semelhantes.
Parti cedo, hoje, do mesmo pouso em Minas, seguindo depois para o noroeste do Estado do Rio e finalmente chegando à Região dos lagos. O percurso total foi em quilômetros exatamente o mesmo do mais antigo ( quero dizer, quase, foram tres Km a menos), o mais longo agora, que passa por Petrópolis, porem realizado em duas horas a MAIS. Justifico: além das paisagens referidas, os Ipês amarelos em Minas e depois uma profusão de uma "vermelhina" no Est. do Rio, não me permitiam correr muito, mas o principal foi a constatação de que toda a rodovia ficará ótima em três ou quatro meses, me parece, tal a quantidade de obras de recuperação, com os incontáveis ( mesmo) PARE -SIGA que encontrei, e que retardaram meu caminho. Bem, tenho que confessar que por se tratar de um percurso que atravessava inúmeras cidades, algumas delas dentro mesmo da parte urbana, do centro da cidade, foi inevitável uma série de paradas para certificar-me da direção a ser tomada, o que de qualquer modo falhou um tanto, já que errei três vezes, optando pelo caminho mais longo entre duas cidades,( mesmo com orientação da guarda rodoviária). Mas erro meu, ao não ver as bifurcações. Ou será que não eram mesmo sinalizadas e as placas só estavam nas de maior percurso?
Apesar de sexta treze de agosto, do cansaço por passar nove horas rodando , guiando meu amigo carmário, forte e resistente, o consumo de combustível foi bem reduzido, a viagem transcorreu sem nenhum incidente, foi um dia inteiro bastante bom. Ficou a vontade de ter mais tempo - e terei - para explorar um pouco mais as cidades/zinhas dos caminhos que estou escolhendo.
E ainda trouxe para casa diversas mudas de plantas para meus jardins daqui e de "lá", trouxe lembranças refrescadas dos jardins e pessoas que encontrei, saudades com projetos de reencontro breve e uma imensa alegria pelos dias na estrada.

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010


Que culpa é essa que me pesa aos ombros, que me faz aceitar ser punida sem nem saber o porque...
Que medo é este que me arrasa, arrasta, dilacera, consome a alma e nem sei do que...
Que estranho sentimento faz com que eu vá aos poucos perdendo a razão sem tentar a redenção, a remissão ou o perdão...
Que espécie de ma fé, kafkaniana faz com que eu me permita ser enclausurada, torturada sem me rebelar materialmente...
Que perdão eu procuro e de quem, se nem sei o que fiz ou a quem...
Sei apenas o que já sofri encarcerada, humilhada, maltratada, espancada e mesmo assim não foi o bastante...
Que treinamento foi este que me impuseram, que odeio, e do qual não consigo escapar...
A mesma algoz de tantas fases da vida e no entanto dela sinto ainda uma maldita compaixão que não me liberta...
Será meu destino a loucura, a fuga do medo da culpa, o perdão que não me concedo, pela raiva que incorporo ao sentir seu olhar ou ouvir a voz...
Porque não encontro no meu passado com ela ao menos uma boa lembrança que torne suave o jugo...
Serão virtudes o que busco enquanto me perco em descaminhos de lágrimas e dor?

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domingo, 8 de agosto de 2010


Ém Lumiar, 7/8/10

Sou fã ( mesmo antes de estar na moda )

"Nasceste no lar que precisavas. Vestistes o corpo físico que merecias. Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com o teu adiantamento. Possui os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais - nem menos - , mas o justo para as tuas lutas terrenas. Teu ambiente de trabalho é o que elegestes, espontaneamente para a tua realização. Teus parentes, amigos são almas que atraístes, com tua própria afinidade. Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle, tu escolhes, recolhes, eleges, atrai, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência. Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes, fontes de atração e repulsão na tua jornada vivência. Portanto, não reclames nem te faças de vítima. Antes de tudo, analisa e observa. A mudança está em tuas mãos, reprograma a tua meta, busca o bem e viverás melhor. Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo Fim". (Chico Xavier)

sexta-feira, 30 de julho de 2010


ontem foi um dia estranho, cheio de coincidencias estranhas
porem nada causava estranheza
tudo, tudo acabava por ser estranhamente familiar
Mesmo a dor, as dores, sempre presentes
as da alma, as do corpo,
presentes, mesmo assim não doiam
Só estavam, permaneciam
Uma quietude, aceitação
como se eu observasse de fora de mim
Como se sempre fôra assim
de verdade

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sábado, 24 de julho de 2010

perdida


As poucas certezas que tinha
tão poucas
eram voláteis se desfizeram
os muitos sonhos
que comigo estiveram
eram desnecessarios
se foram
ou transformaram
o que eu pensava
como realidade
como imaginação
nem foi vivida
apenas sonhada
com os pés no chão
as vezes cansada
tal nau desgovernada
seguindo os caprichos
das ondas dos ventos
da vida
sem rumo ou direção
procuro onde aportar
ou não


(em 24/07/2010)
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Caindo na Real

Bem, ainda tenho crônicas a postar lá, mas quero desabafar e se ficar deixando para depois, estará cada vez mais diacrônico.
Cheguei de viagem no sábado, dia 10, e em casa, à noite. Descansei domingo, quer dizer, nem tanto pois assumi a função de cuidar de minha mãe, as meninas haviam saido cedo, no sábado mesmo, para merecidas férias. Assumi, com a ajuda de uma pessoa que elas contrataram, pois sabem bem das minhas dificuldades com ela. Mesmo assim, a ajuda é por poucas horas do dia, para banho, coisas assim. Para o mais, os quero-quero, sou eu mesma. Na segunda cedo, resolvo aproveitar enquanto a "cuidadora" estava em casa para ir ao dentista, resolver um pequeno probleminha, para que não se tornasse um grande problema. Resultado da minha prevenção, um imenso edema na face no dia seguinte. Ou melhor, a formação de um abcesso. Tá bom, eu sempre soube que a cada vez que passo algo bom, vem a "compensação". Os amigos de mais tempo lembram, né, quando voltei da Escócia.
Remédios para o abcesso, e para o estômago. Sou estressada e com alguns defeitos de fabricação; já tive úlceras de duodeno repetidas vezes, antibióticos e antiinflamatório, são uma combinação explosiva para mim. Mas indispensáveis agora. E repouso, conforme prescrito. Piada, né?
Quarta feira, mal abro o olho esquerdo, a infiltração atinge até o interior da narina e próximo à orelha. PQP! Vou abrir o portão para a cuidadora, um cachorro, ou cadela, minha defensora, que prendi na corrente para a senhora entrar, movida sei lá por quais sentimentos, rompe a coleira, ataca a mulher, morde, rasga as calças da tal senhora, que foge e furiosa, com razão, diz que não volta nunca mais. Vai mandar a conta dos prejuizos. Não posso chorar, vai inchar mais ainda! Quem vai trocar as fraldas da velha? Telefono, peço socorro à esposa do rapaz que limpa meu quintal, ela vem assim que pode, tem filho pequeno, bem, salva mais uma vez por essa família. Quarta, quinta, sexta, dentro de uma quase normalidade, não fôsse pelo rosto que não desincha, a dor, e ainda ter que cozinhar e demais cuidados. Só estou livre de ter que dar banho e da fralda principal, a mais nojenta.
Tempestade em Cabo Frio. Enchentes. No sábado a moça não vem, o bairro dela foi muito afetado, a família tambem precisa dela, eu presumo. Sua casa está em obras. De repente, começa a aparecer água dentro da minha casa. A princípio, entrando pelo ralo do lavabo. Vou tirando com baldes. Dos grandes. Um, dois, vinte, parei de contar, rápido, rápido. A água começa a subir muito depressa, a espalhar-se por toda a casa, não sei se boto as coisas "no alto", sofás, eletrodomésticos, são pesados, estou sòzinha com a "mãe" deitada na cama e dando palpite errado e irritantes, o que fazer, se continuo a tirar a água, se fujo e abandono tudo. A rua não está alagada. A água surge do chão, dos batentes das portas, de todo lado. Telefono para o salvador, o jardineiro do vizinho, que é quem cuida tambem daqui, mas mora em outro bairro, graças, ele chega em menos de 10 minutos, traz um sobrinho para ajudar. Depressa, depressa, a água entra mais rápido do que nós tres conseguimos tirar, mas a rua continua sem estar alagada. Ele explica ( sou nova nesta cidade) o solo arenoso encharcado não drena e com a maré alta o esgoto reflui. Onde moro é pràticamente uma ilha, um antigo mangue, drenado por canais em toda a volta.O solo é só areia. Eu e minhas escolhas. Devia morar em palafita... Até que surge a ideia: eu digo e se conectarmos uma mangueira no ralo e jogar a água para fora? (Não sei como viabilizar isto) e ele acrescenta: e se botar a bomba dágua acoplada à mangueira? O que ele ràpidamente executa e as águas começam a abaixar. Gente, eu passei sêca na Amazonia! Eu morava na terra das enchentes, Petrópolis. Vim alagar aqui! São seis horas de sufoco, a maré já deve estar abaixando! Mas a bomba continua drenando água. São 18:00hs, ele precisa ir para seu emprego de " carteira assinada" é vigia noturno em uma firma. Não pára de chover, menos, mas não pára. Deixa o sistema de drenagem funcionando e vai. Alerta-me para a importancia da vigilância: se a bomba puxar em sêco, vai queimar, mas... se desligar a água pode voltar a subir. O meu filho que mora perto está embarcado, trabalha em plataforma, o outro mora no Rio, as estradas estão perigosas, nem sonho em chamar, uruca basta isso, não quero coisas piores. Passo a noite puxando a água que brota do chão nos quartos e sala, para o lavabo, onde está a drenagem que joga a água na rua. Parece que a água que vai para a rua, volta pelo solo. O rosto ? Ainda bastante edemaciado e ainda dói. Puxa! Os livros dizem que após 48:00hs de antibiótico era para mehorar, foi assim que aprendi, já passam de 96! A bomba fica ligada até as 8:00 da manhã do domingo. E eu ligada pela adrenalina, pelo mêdo, e pela cafeína que tomei para não apagar, não dormir, pelo cansaço. Beleza, antibióticos, antiinflamatórios, cafeína, stress, e ...omeprazol ( Não é marketing, não, é o que fiz para sobreviver).
Começo o domingo com uma mega-faxina: tapetes, algumas almofadas que nem vi que estavam sendo molhadas, o chão imundo e fedorento. E o rosto ainda inchado, um pouco menos e ainda doendo, felizmente bem menos. Começam a doer tambem as costas os braços, as pernas. Um cansaço infinito, mas não dá para parar agora, é necessário" salvar" o que puder, higienizar tudo e sem parar de olhar para o céu. As previsões da meteorologia apontam chuvas para este dia tambem. E ainda dar banho, etc, fazer almoço para aquela que nem assim pára de querer coisas para seu bem estar. Aquela, que nunca cuidou dos filhos, que nem almoço fazia. Tá bom, quero me livrar deste carma para a proxima vida. Castigos tenho de sobra. Acredito que só se tem o que se merece. Tudo bem que tambem tenho bastante benefícios para equilibrar, mas numa hora destas, que revolta!
Por volta do meio dia chega do Rio um filho, com a irmã e o marido. Ela que em fevereiro gritou que se tivesse poder de escolher não seria minha filha (porque na faxina da casa para mudança, fui comprar água com a caçula e esqueci de chamá-la) e depois disso nunca mais falou comigo. Tá, eu dei uma resposta à altura e bem alto, aos gritos. Mas veio comunicar-me que está grávida e feliz. O que mais uma mãe deseja, do que um(a) filho(a) feliz?. Assim. Vou ser mais Vovó. Mas ficou em mim uma sensação desconfortável, eu esperava e ainda espero um pedido de desculpas.
É demais?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O PONTO DE FUGA

Ainda existem palavras que engoli
que precisam ser gritadas
Sair de dentro do peito, do estômago,
dos poros e dos ouvidos !
Na (des)razão fermentadas
existem palavras para sair.
Para que se saiba.
Finalmente



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quarta-feira, 16 de junho de 2010

A FUGA


Andarilhos são sempre cinzentos.
A sua frente e por onde passaram
ficou a trilha cinzenta, rodovia
como o rastro de uma lesma.
Grudaram na trilha, o infinito
na esperança de um fim.






Velhas chaminés,
antigas imagens
nestas paisagens,
falsos falos falidos
de um capitalismo
cinzento opulento
perpetuado perpetrado
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Colorem-se as pessoas,
colore-se a roupa,
deseja-se apagar com isso a miséria em que a terra se tornou.


(na estrada, em 31/05/2010)

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O PONTO


Por todos os lugares vi o verde se convertendo em roseos para tocar o céu, enquanto levantei a poeira das estradas, nestes dias recentes, deste clima especial.

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sexta-feira, 11 de junho de 2010

PAULICÉIA


Na Tietê, São Paulo marginal,
morta
As majestosas negras aves
não estão aí, não existem,
não há o que livrar da decomposição
corpos cadáveres apodrecendo
dos cães mortos nas sarjetas,
em fila

Correm e ou arrastam-se
os morto-vivos humanos
presos em seus reluzentes sarcófagos
de lata.
Vivendo em metal
correndo em vão.
Pensam que sabem para onde.
Pensam que sabem por que.

Correm pelo cinza-sangue da Terra
sangue endurecido
para servir aos que não vivem.
Sem brilho
enganam-se pensando que
certamente lhes brilhará a vida,
o destino, a felicidade.
Esta tambem ja nasce morta.

No cinza-chumbo do céu azul
que encobre uma cinzenta cidade
colorindo-se os corpos,
vestimentas,
os sarcófagos e as paredes,
como se assim fizessem desaparecer
a tristeza da existência inútil.
Que pensa que viveu.


31/05/2010.
Nas estradas

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PROCURO UMA CLAREIRA, UMA OCARA, UM ESPAÇO, PARA ENCONTROS E TROCAS

BEM VINDO !

AQUI SEGUEM OS RELATOS DAS MINHAS AVENTURAS E DESVENTURAS, SÒZINHA OU COM MINHA FAMÍLIA ONDE MUITOS NÃO GOSTAM DA MATA OU DE MIM.

Reinício em 11/02/2011